quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Incoerência Tucana

Dando sequência a uma série de entrevistas com os candidatos à Presidência da República, o Portal G1 recebeu, na última segunda-feira, o tucano Aécio Neves. Em meio à habitual repetição do discurso comum à campanha, o candidato respondeu a perguntas enviadas por internautas, dentre as quais duas merecedoras de destaque.

Na primeira delas, o candidato foi indagado sobre as medidas para conter o tráfico de drogas e de armas pelas fronteiras brasileiras. Ao responder, reconheceu serem estas atividades as maiores responsáveis pelo aumento da criminalidade no país. Um bom sinal, sem dúvida, mas, infelizmente, seguido de um posicionamento lacônico e contraditório.

Alguns instantes depois, o candidato foi indagado diretamente sobre o estatuto do desarmamento. Com indisfarçável incômodo,  omitiu-se em se posicionar sobre a legislação, valendo-se da evasiva de que já houve um plebiscito (sic) sobre o assunto e a população brasileira já se manifestou, de modo que o tema "não está na ordem do dia". 

O problema é que, como parece desconhecer o candidato, a manifestação da sociedade sobre o estatuto do desarmamento no referendo - e não plebiscito - de 2005 não está sendo cumprida. Nas urnas, as restrições às armas foram maciçamente derrotadas, mas, ainda assim, vêm sendo impostas pelo Governo Federal, em total afronta à vontade popular.

Portanto, se a ideia do candidato é respeitar o que a população brasileira já decidiu, jamais poderia deixar de fora da sua "ordem do dia" o estatuto do desarmamento. Se o faz, não está observando a decisão popular, mas engrossando o coro dos que, tal como o governo atual, a ignoram sistematicamente.


Veja abaixo os trechos da entrevista


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