segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Deu no New York Times: 'boom' de homicídios em Salvador

A repercussão dos dados contidos no Anuário Estatístico do Fórum Brasileiro de Segurança Pública já extrapolou os limites geográficos do país, com mais um destaque negativo para a capital do estado da Bahia. No último domingo, o New York Times, em uma matéria especial, deu ênfase ao que chamou de "lado negro" de Salvador, com uma crescente vertiginosa na  criminalidade, notadamente os homicídios, o maior número absoluto entre as metrópoles brasileiras.

A matéria aborda a contradição entre os índices econômicos da cidade, em momento positivo, e os de violência, igualmente crescentes. Isso, à primeira vista, pode parecer estranho, pois há muito se vem dizendo no Brasil que a violência urbana é uma questão de miséria, pondo o desenvolvimento econômico no foco principal do combate à criminalidade. Está errado.
 
Na questão da segurança pública, o país sofre com a profusão de mitos convenientes ao governo, dentre os quais o de que a violência é um fenômeno mais econômico-social do que humano, e que, por isso, o fundamental para se resolver o problema é o investimento na melhoria dos índices de emprego, de obtenção de renda, de educação e de saúde. Só esquecem de que, por mais influência que sofra, o caminho do crime é uma escolha. É justamente o que não pode ser esquecido.
 
Por mais bonito que seja o discurso do investimento social - e por mais votos que as ações neste sentido possam atrair -, a importância desse campo no combate imediato à criminalidade é secundária. Não há solução para a violência a curto prazo com investimento social, é preciso primeiro combater o indivíduo que opta pelo crime, fazendo-o temer sua opção a ponto de coibi-la e, aí sim, reduzir seus efeitos.
 
No confronto imediato contra o crime, a repressão continua sendo o único caminho eficaz, e ela não exige saúde, educação e oportunidade de emprego, exige punição para quem delinquir. A realidade de Salvador mostra isso, como também enfatizou o New York Times. Afinal, de acordo com a matéria - com o que não há como se discordar -, a explosão de homicídios na cidade está diretamente relacionada ao tráfico de drogas, atividade que, repreendida no Sudeste do país, migrou parcialmente para o Nordeste, encontrando às margens da Baía de Todos os Santos campo fértil para se multiplicar, exatamente pela falta de repressão adequada. Os resultados estão aí.

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Fabricio Rebelo é bacharel em direito e pesquisador em segurança pública na ONG Movimento Viva Brasil.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Release | Bahia se destaca em homicídios.

De acordo com o Anuário Estatístico do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o estado da Bahia foi novamente destaque negativo nos índices de criminalidade. Conforme apontam os dados do estudo, oficialmente divulgado nesta terça-feira (05), o estado alcançou, em 2012, a quarta colocação na taxa de homicídios e a segunda na de roubos de carros.

A taxa de homicídios baiana chegou a alarmantes 40,7 ocorrências para cada grupo de 100 mil habitantes, superando em muito a média nacional, de aproximadamente 26/100mil. No roubo de carros, o índice baiano foi de 435 ocorrências por 100 mil habitantes, perdendo apenas para o estado do Amazonas.
 
Embora com evolução em modalidades criminosas diferentes, especialistas em segurança pública veem como principal responsável pelo crescimento dos índices a mesma atividade: o tráfico de drogas. 
 
A opinião é compartilhada pelo coordenador da ONG Movimento Viva Brasil na região Nordeste, o pesquisador em segurança pública Fabricio Rebelo. Para ele, “embora o tráfico de drogas tenha como principal atividade o comércio de entorpecentes, ele traz consigo uma série de modalidades criminosas periféricas, relacionadas direta ou indiretamente com aquela”.
 
Rebelo explica que, junto com o tráfico, cria-se toda uma rede de crimes que dele decorrem ou visam sustenta-lo, o que tem reflexos diretos nos homicídios e também nos crimes contra o patrimônio. “Em julho, a Polícia Civil baiana divulgou que, dos homicídios esclarecidos, aproximadamente 70% decorreram diretamente do tráfico, o que é absolutamente natural. Com o tráfico, surgem as disputas por pontos de drogas, os acertos de contas, as guerras entre facções, e também os crimes contra o patrimônio praticados por quem quer comprar entorpecentes, financiar sua venda ou age por influência deles. É todo um ciclo vicioso criminal que gira em torno do tráfico”, afirma.
 
Para o pesquisador, o crescimento nos crimes na Bahia, apontado pelo estudo, é fruto, principalmente, da expansão do tráfico de drogas, que se fortaleceu muito nos últimos anos, sem um combate efetivo por parte das forças de segurança. “O crescimento na Bahia seguiu a tendência das regiões Norte e Nordeste do país, exatamente nas quais o tráfico de drogas mais cresceu na última década. Combater energicamente essa atividade (o tráfico) é o primeiro passo para que se tenha um início de reversão na realidade criminal, mas isso não é simples e precisa ser feito de forma estruturada, com atuação conjunta das polícias, do Poder Judiciário e também da sociedade. Porém, o fundamental é que isso se inicie com urgência, ou não teremos razões para comemorar a curto ou médio prazo”, finaliza.
 
O Anuário Estatístico do Fórum Brasileiro de Segurança Pública foi encomendado pela SENASP – Secretaria Nacional de Segurança Pública, vinculada ao Ministério da Justiça, e traz como principal conclusão o crescimento generalizado dos homicídios no país em 2012, com o maior índice na série histórica desde 2008 e um aumento direto de 7,6% em relação ao ano anterior.

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Release originalmente elaborado para o Movimento Viva Brasil